Endometriose afeta 20% das brasileiras
Juliana Anselmo da Rocha
Para alertar sobre a endometriose, doença de difícil diagnóstico que afeta até 20% das brasileiras, especialistas farão uma palestra e triagem de pacientes amanhã, a partir das 8h30, no Hospital Central da Aeronáutica (HCA), Rio Comprido.
- Esperamos atender 200 mulheres. Aquelas em risco serão direcionadas a centros especializados - explica Carlos Crispi, coordenador da pós-graduação em vídeoendoscopia ginecológica do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Além do IFF e do HCA, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj, conta com um ambulatório de endometriose. Provocada pelo refluxo e acúmulo do sangue menstrual no abdômen, o principal sintoma da doença são as cólicas crescentes. Fisgadas no ânus e vontade freqüente de ir ao banheiro são outras queixas comuns.
O endométrio, tecido que reveste o útero, aumenta de tamanho mensalmente. Quando não há gravidez, tem-se uma descamação e a mulher menstrua. Traços genéticos e imunológicos favorecem a menstruação retrógada, quando o sangue retorna pelas trompas.
- A maioria tem menstruação retrógada - revela Crispi. - Quando a quantidade de sangue regurgitado é pequena, o sistema imune se encarrega de eliminá-la. Quando a limpeza falha, seja pelo fluxo intenso ou uma deficiência das defesas, temos a endometriose.
Absorventes internos e dispositivos que dificultam a saída do sangue pela vagina, como o DIU, são fatores de risco. Gordinhas têm maior propensão, já que o colesterol pode ser transformado no hormônio estrogênio, que governa o crescimento do endométrio.
A dona-de-casa Viviane Picorelli, 29 anos, descobriu ter endometriose em 2003. Suas dores eram tão fortes que chegava a cair no chão:
- Meu ovário e minha trompa direitos estavam comprometidos e precisei retirá-los por cirurgia.
Por causa da doença, Viviane não pôde engravidar. Mas o sonho de ser mãe, contudo, está próximo: ela deu início a um processo de adoção.
- A infertilidade permanente não é rara - completa Crispi. - Como também causa dores no ato sexual, muitas pacientes têm a vida conjugal devastada pela doença.
O tratamento consiste na administração ininterrupta de anticoncepcionais ou drogas anti-estrogênicas. A cirurgia é necessária para retirar os restos de tecido aderido aos órgãos abdominais.
- A mulher com endometriose precisa entender que menstruar nunca é desejável - observa Crispi.
Fonte: Jornal do Brasil
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